A seleção portuguesa de ciclismo de pista está em Xangai, na China, para disputar o Mundial da modalidade, a primeira prova pontuável rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Com Iúri Leitão como principal nome da comitiva, a equipe lusa tenta somar medalhas numa competição que também serve como ponto de partida de um longo ciclo olímpico.
Olhos postos em LA 2028
Para o diretor técnico da vertente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Pedro Dias, a disputa em Xangai já tem um significado que vai além do resultado imediato. "O caminho para os Jogos Olímpicos começa agora", resume o dirigente, em declarações à Renascença. Segundo ele, a acumulação de pontos desde já é determinante para o planejamento de longo prazo da federação. "Cada ponto que conquistarmos desde o início faz com que consigamos fazer um trabalho muito mais estruturado", explica. Pedro Dias não esconde que trazer medalhas é sempre desejável, mas reforça que o foco principal, neste momento, é a construção de uma trajetória sólida rumo a Los Angeles.
Iúri Leitão lidera expectativas
A comitiva portuguesa tem em Iúri Leitão o nome de maior destaque. Medalhista em duas ocasiões nos últimos Jogos Olímpicos e bronze no scratch no Mundial de 2025, o ciclista chega à China como um dos favoritos às posições de topo. Pedro Dias reconhece o valor do atleta, mas evita transformá-lo na única esperança de medalha da equipe. "Ele é candidato, mas também não é justo colocar-lhe essa responsabilidade, porque é apenas um dos elementos que nos vai representar", pondera. Ainda assim, o dirigente admite que o próprio Iúri deve nutrir expectativas elevadas, dado o histórico e a preparação recente. A ausência de Rui Oliveira, também medalhado olímpico, é uma baixa sensível, mas a federação deposita confiança no irmão gêmeo, Ivo Oliveira, que vem de bons resultados em provas no Japão e já foi campeão mundial em outras categorias.
Força feminina e desafios logísticos
No setor feminino, Portugal aposta em Maria Martins e Daniela Campos. Maria tem o currículo mais expressivo em medalhas internacionais, e Pedro Dias acredita que ela reúne condições para voltar a brigar pelos lugares de destaque, mesmo sem pódios nas competições mais recentes. Daniela Campos surge como outra possibilidade de bom resultado na equipe. A preparação, porém, não foi isenta de dificuldades: o fuso horário, a umidade e as temperaturas em Xangai são fatores que podem interferir na recuperação física dos atletas, somados aos desafios logísticos do deslocamento e da equipe de apoio. Mesmo assim, o diretor técnico garante que o planejamento foi antecipado e aposta na experiência internacional do grupo para minimizar o impacto dessas variáveis.
Calendário de provas em Xangai
O Mundial acontece no Velódromo de Xangai, entre os dias 14 e 18 de outubro, com a seleção portuguesa distribuída por diversas disciplinas ao longo da semana.
- 14/10 - Scratch feminino: Maria Martins
- 15/10 - Eliminação feminina: Daniela Campos; Scratch masculino: Diogo Narciso
- 16/10 - Omnium feminino (quatro provas): Maria Martins; Perseguição Individual masculina: Ivo Oliveira; Corrida por pontos masculina: Miguel Salgueiro
- 17/10 - Omnium masculino (quatro provas): Iúri Leitão
- 18/10 - Corrida por Pontos feminina: Daniela Campos; Eliminação masculina: Diogo Narciso; Madison masculino: Iúri Leitão e Ivo Oliveira
Sobre as metas para a competição, Pedro Dias prefere cautela, mas deixa claro qual seria o resultado mínimo satisfatório. "Pelo menos, fazer uma medalha seria razoável. Tudo acima disso seriam resultados positivos", conclui o dirigente da FPC.